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Turu, teredo ou bicho do pauO turu é um molusco que vive em árvores em estado de putrefação, ou podres, em locais como a Amazônia e a Ilha de Marajó. São como os caranguejos dos mangues de Pernambuco: vivem apenas em troncos apodrecidos e é preciso se enfiar na lama para apanhá-los. Outros peixes exóticos, como o tralhoto (ou quatrolho), podem ser encontrados no mangue amazônico.
O molusco é apanhado diretamente do tronco:  Os ribeirinhos cortam os troncos podres e os turus saem para a superfície. Assemelham-se a macarrões do tipo spaguetti ou a minhocas de maior porte. Ou, se você não sentir nojo, parece-se mesmo é com uma lombriga branca e leitosa. Assim que a moradia do turu é devassada, o molusco morre. Mas certamente o são, pois chamam a atenção pelos prejuízos que podem causar perfurando o casco de embarcações. São como cupins de madeira molhada.
Fora os estragos que pode causar, o turu é um alimento e tanto. Além de ser apreciado como afrodisíaco, de novo como a ostra – não descobri qual substância referenda a fama, ele é riquíssimo em cálcio, talvez porque tenha que secretar esta substância para “cimentar” o túnel calcário onde se aloja. Só para se ter uma idéia, a ostra tem 6 mg de cálcio/100 g ante 153 mg do turu. O leite, melhor fonte deste mineral, tem 113 mg por 100 g.  Sem falar no ferro. Apesar de branquinho como leite, nunca vi alimento algum com tal quantidade de ferro – 55 mg por 100 g (o fígado de boi cozido tem 6,29 mg/100 g). Se a tabela está certa e me pareceu fonte segura, que botem turu na merenda escolar para acabar com a anemia infantil. É claro, tem que estudar biodisponibilidade e tal, mas, num primeiro momento, o dado é convidativo. E quer mais? Baixíssimo valor calórico e quase nada de gordura. Idéia para aqueles cardápios do tipo “perca 7 quilos em uma semana” com turu. Rsrs…

Duas formas de preparar o turu

Além de cru, o turu pode ser degustado de outras maneiras. Dois exemplos são: o caldo de turu e a frigideira de turu. O caldo ou sopa de turu é preparado da seguinte forma: inicialmente, o turu deve descansar em uma tigela por uma hora para soltar um líquido leitoso e de cor roxo claro que será essencial na hora do cozimento. Sobre o fogo, coloca-se uma panela. Dentro dela, refoga-se em azeite um pouquinho de alho e cebola. Pode-se juntar ainda um pouco de pimentões coloridos e cubinhos de tomate. Junta-se o turu e o liquido que soltou ao descansar na tigela. Cozinha-se por no máximo uns quatro minutos para que ele não fique borrachudo. O tempero da sopa é finalizado com sumo de limão, sal e pimenta-do-reino a gosto e um pouquinho de salsinha picada por cima.

A frigideira de turu é preparada junto com mexilhões, vôngoles, ervas, um azeite de qualidade e um pouquinho de alho. Pode ser servido à beira da piscina em um domingo ensolarado para comer com fatias de pão.

Algumas dessas iguarias são preparadas nos restaurante de Soure e Salvaterra, na Ilha de Marajó. Porém, é sempre bom telefonar antes para os estabelecimentos para checar a disponibilidade. Alguns dos locais que preparam o turu sob encomenda são a Pousada São Jerônimo e o restaurante Delícias da Nalva, ambos em Soure.



One Response to “Turu, teredo ou Bicho do pau”

  1. Eliane disse:

    Oi, sou moradora de Salinópolis-Pará, informo a todos que aqui no meu município também tem vários restaurantes que preparam o caldo de turú, e realmente é uma delícia essa iguaria, vale a pena conferir!!

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